sábado, 30 de outubro de 2010

An[alise eixo VII

Revisitando este eixo, encontrei na interdisciplina EJA alguns temas que os quais tenho abordado em meu TCC, como a diversidade, a igualdade de direitos, adequação das escolas e professores diante da diversidade.
Para complementar minhas idéias, busquei o texto de Marta Kohl de Oliveira. Segundo ela, quando falamos desta modalidade de ensino (Educação de Jovens e adultos) “um primeiro ponto a ser mencionado é a adequação da escola para um grupo que não é o ‘alvo original’ da instituição”. Vemos e trabalhamos em escolas “preparadas” para receber crianças, porém os adultos são atendidos nestas mesmas escolas, que são adaptadas para outra faixa etária. Na verdade estas escolas estão acostumadas a atender e lidar com necessidades e habilidades destas crianças e não dos jovens e adultos. No entanto para se pensar em prática pedagógica da EJA, precisa se levar em consideração também as necessidades e habilidades desses jovens e adultos, que provavelmente não sejam as mesmas das crianças. Estas pessoas jovens e adultas precisam ser consideradas pela sua singularidade, não sendo mais crianças, marcados por uma escolarização muitas vezes fracassada, excluídos e que abandonaram a escola cedo ou nem mesmo freqüentaram por necessidades familiares e pela própria dificuldade de aprender. A EJA envolve uma realidade de jovens e adultos com vivências e experiências de vida muito importantes e que devem ser consideradas durante o processo de aprendizagem. Em relação ao “modelo escolar”, acredito que muitas vezes chega a “atrapalhar” este processo, pois é criado num ambiente onde professor dita as regras e os alunos obedecem. E os jovens e adultos precisam que a escola esteja em sintonia com sua realidade, suas vivências. A EJA é uma proposta de ensino que vem dar oportunidades de escolarização dentro de suas necessidades e habilidades (dos alunos), considerando, em sua prática pedagógica, a diversidade e dificuldade de adaptação, buscando uma proposta flexível onde os alunos se sintam capazes de construir e transformar. Os altos índices de evasão e repetência nos programas de educação de jovens e adultos indicam falta de sintonia entre essa escola e os alunos que dela se servem, embora não possamos desconsiderar, a esse respeito, fatores de ordem socioeconômica que acabam por impedir que os alunos se dediquem plenamente a seu projeto pessoal de envolvimento nesses programas.
Daí a necessidade de sintonia da escola com a realidade destas pessoas, valorizando o que já sabem e oportunizando um ambiente de troca, de diálogo, de experiências, onde suas curiosidades e seus desejos sejam também ouvidos e considerados.
Apesar de estarem em busca de um mesmo objetivo, cada um na sua individualidade, possui uma cultura (independente da idade, condição social ou raça) que, na sala de aula são confrontadas, onde possam tornar visíveis diferentes linguagens e pensamentos. Possuem seus conhecimentos prévios originando possíveis diferenças na maneira de pensar, expor e defender suas idéias. São pessoas cheias de culturas e que buscam ser reconhecidas pelas experiências que trazem consigo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

respostas aos questionamentos dos eixos V e VI

Como o meu TCC é sobre as questões étnico-raciais e isto nos remete a questões ainda como diversidade, igualdade, preconceito, discriminação, acho que o texto de Letícia e de Maria Beatriz, contribui para a minha reflexão. Já que a escola deve ser um local de “livre acesso”, onde não se permita qualquer ato discriminatório, seja por parte de alunos, de professores, de pais; onde toda a comunidade escolar “trabalhe junto”, que se defina o que se quer e que lute por aquilo que acredita. Quando falo em igualdade, me refiro à igualdade de direitos, onde a diversidade seja aceita plenamente.
Durante a pesquisa (para o TCC) que realizei com professores sobre o ensino de história na sala de aula e a Lei que prevê a abordagem do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, alguns professores relataram não conhecer a lei, outros disseram serem contra, pois a lei parece ser discriminatória. Eu, particularmente, acho que não seria por este lado. Acredito que a lei foi criada em função do descaso que a escola, os professores, os governantes têm apresentado em relação ao assunto. É claro que se tratando de um a lei, logo se percebe a obrigatoriedade, mas também nos são apresentados livros com conteúdos previstos e que poderiam ser vistos como obrigatórios também. Acho que alguns professores usam desculpas por não estarem preparados para lidarem com a diversidade. É o que tenho concluído com minha pesquisa: Não temos que “seguir” somente o que dizem os livros, mas podemos ter a iniciativa de avaliar o que é bom e necessário para a construção do conhecimento do nosso aluno.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Análise eixo VI

Este eixo está sendo fundamental para o desenvolvimento do meu TCC, pois nas atividades da interdisciplina Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História, encontrei muita coisa entre teoria e prática, que cabem no meu trabalho. No meu TCC tenho relatado experiências de minha prática docente. Em uma das minhas reflexões, lembrei de uma atividade que realizei com um a turma de 4ª série, na qual abordamos a etnia racial do nosso estado. Onde os alunos pesquisaram suas origens, trazendo fotografias, gravuras que as identificassem, onde nós, alunos e professora pudemos interagir, pois todos éramos descendentes de índios, alemães, italianos, portugueses ou negros.
Falamos sobre todas as etnias, e pudemos nos encontrar em algumas delas.
Eles fizeram uma referência quanto à dificuldade de encontrar imagens de negros comuns (não famosos), dentro da sociedade. Nos livros didáticos de História sobre o negro no RS, a figura negra era caracterizada, simbolizando pobreza, doença, escravidão, babás. Na televisão, o papel que os negros representam nas novelas empregadas domésticas, amas de leite, negras que cuidavam da sinhazinha. Esta questão, da abordagem em livros didáticos de questões étnico-raciais, tenho analisado, pois é um dos tópicos do meu trabalho de conclusão. Já pude constatar que hoje nas novelas atuais e nos livros didáticos estes autores (negros), já ganharam papéis diferentes, mas algo que também foi constatado é que ainda existe a discriminação e o preconceito.
Isto se evidencia com o relato de alunos negros, em outra atividade, onde os alunos entrevistados, trouxeram à tona a presença de atos discriminatórios no contexto escolar, evidenciando o quanto ainda perpetua o preconceito racial, principalmente nas escolas.
Através das entrevistas que realizei pude observar o envolvimento de sentimentos vividos por eles: mágoas, tristezas, humilhações.
A entrevista foi estendida também a alguns professores, onde se afirmou
o quanto os professores ainda estão despreparados e, muitas vezes omissos a abordagem afro-cultural no âmbito escolar, contribuindo para a disseminação de atos discriminatórios, preconceituosos.
Nosso papel como educadores e como pessoas, é de orientar e esta é uma tarefa que deve ser assumida por todos nós, para que possamos eliminar estas práticas nas escolas, contribuindo para uma sociedade limpa, sem preconceitos e discriminações, onde prevaleça a igualdade.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Análise eixo V

Ao revisar este eixo, encontrei um texto muito interessante e que vem ao encontro com o que acredito e tenho lido para a elaboração do meu TCC.
Através do texto “Gestão democrática na e da educação: Concepções e vivências” escrito por Isabel Letícia Pedroso de Medeiros e Maria Beatriz Luce, proposto pela interdisciplina “Organização do Ensino Fundamental”, pude compreender que a organização escolar em uma perspectiva democrática se dá numa escola onde através da competência dos profissionais da educação, em conjunto com a comunidade, neste espaço legalmente instituído, reúne-se esforços no sentido de dispor dados de modo a encontrar uma solução para que seja criada uma identidade para a escola. Democracia é um estado de participação. Todos os envolvidos devem participar; na escola, por exemplo, comunidade escolar, pais, estudantes, funcionários, professores, diretores, devem estar cientes e participantes nas tomadas de decisões, nas formulações de políticas educacionais, na determinação de objetivos e fins da educação; no planejamento; na definição sobre alocação de recursos e necessidades de investimento; na execução das deliberações; nos momentos de avaliação e ter livre arbítrio (poder concordar ou não). O acesso deve ser livre nas escolas, para a comunidade, pais, estudantes, que possam reclamar, elogiar ou sugerir, enfim que possam “participar” desse contexto não somente para “fazer parte”, mostrar-se presente, mas “ter parte” para “tomar parte” na interminável construção de uma sociedade da qual se “sente parte”. “Todos os níveis de participação devem estar presentes nos processos democráticos, pois não basta “fazer parte”, mas avançar para a apropriação das informações, a plena atuação nas deliberações, das mais simples às mais importantes, exercendo o controle e avaliação sobre o processo de planejamento e execução”, (trecho retirado de texto). Democracia é discurso, é prática. Para se ter uma organização democrática de fato, é preciso níveis mais elevados de participação, rompendo com a tradição que temos, onde uma parte dos atores decide e planeja e outra parte executa e sofre as conseqüências. A escola deve estar sempre atenta ao público que tem, para que possa, se necessário, adequá-la às necessidades de cada um, independente de sua condição social, raça ou etnia. E, cabe também ao professor tornar-se parte deste processo, principalmente se observar algum tipo de injustiça ou discriminação, valorizando os direitos coletivos e também individuais, onde tenham a oportunidade de opinar.
“A escola precisa ser promotora da democracia do aperfeiçoamento das práticas de participação social em busca dos seus direitos individuais, coletivos, sociais e políticos, mas temos muito forte a tradição autoritária presente nas relações de poder em todo o cenário político, cultural e social. É preciso ter muita pretensão para tornar nossas escolas em espaço de participação e organização verdadeiramente democráticas.” ( trecho retirado do texto).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Análise eixo 4

Neste eixo, a minha interdisciplina “aliada” foi “Representação do Mundo pelos Estudos Sociais” Professor Nilton Mullet . Meu trabalho do tcc está sendo todo em torno da história, questões étnico-raciais, leis que prevêem o acréscimo destes estudos no currículo escolar e aqui encontrei muita coisa sobre isso.
Em uma das atividades tivemos que elaborar um planejamento de uma aula com o título “Quem Sou Eu?”, cujo objetivo seria conhecer e comparar, a partir da sua história de vida e da sua família as histórias que marcaram suas vidas de acordo com a época em que viveram e que vivem. Conhecendo a sua história, descobriria sua identidade e origem, grupos sociais a que pertencia e entenderia que a população possui diferenças étnicas, culturais e sócio-culturais e que a formação da mesma se constitui de diferentes etnias, que viveram em determinados momentos históricos e que vivem atualmente em condições diversas das daqueles momentos. Conhecer sua identidade social e do grupo, seria fundamental para melhor integração e socialização como um todo. O que permitiria também o resgate a partir das descobertas de cada um: - suas origens; - grupos de origem a que pertenciam.
Em outra atividade, a partir do texto Propostas Pedagógicas e Projetos de Aprendizagens. Tive que responder o que achava da inclusão do Eu, Minha Família, Bairro, Município, Estado, no planejamento do ensino de Estudos Sociais. Relendo, devo dizer que permaneço com minha opinião, pois entendo que conteúdo é uma “base”, algo para nos guiarmos, talvez um suporte para o início do trabalho, por exemplo. Precisamos de um planejamento para realizar um trabalho, mas este planejamento deve ser flexível, não podemos achar que porque estudar o Estado é conteúdo da quarta-série (série com a qual trabalho), não vou permitir que os alunos perguntem ou pesquisem sobre outros Estados, ou países; ou porque a família não faz parte do conteúdo da minha turma, não vou permitir que falem sobre ela. Muito pelo contrário, os grupos sociais e todos os espaços a nossa volta, nos ajudam a construir e entender nossa história, que não acaba a cada final de ano letivo.
Segundo a autora Circe Bittencourt, uma das maiores dificuldades dos professores de História é selecionar os conteúdos históricos apropriados para as diferentes situações escolares. Eu concordo também com ela, quando diz que temos que optar por manter os denominados conteúdos tradicionais ou selecionar conteúdos significativos para um público escolar proveniente de diferentes condições sociais e culturais e de adequá-los a situações de trabalho com métodos e recursos didáticos diversos.